1 de junho de 2015

Gente de gentes

E de repente sorrimos, num jeito menino de quem recebe um elogio inesperado. De repente apercebemos-nos que há mais gente que gosta de nós independentemente daquilo que somos ou mostramos. Gente que nem sempre se pronuncia mas que nos segue em silêncio, que nos vê caminhar, tropeçar e por vezes até cair. Gente que se ergue da penumbra e que nos dá a mão, nos levanta e ajuda a limpar as feridas. Gente que depois do dever cumprido volta para o seu canto seguindo a sua vida, mas levando-nos sempre no pensamento, mesmo que não o diga. Essa gente foi aquela que aqui e ali conhecemos e colocámos num patamar onde colocamos aqueles de quem mais gostamos, aqueles por quem também nós saímos da penumbra para dar a mão, abraçar e deixar uma boa recordação. 
É por essa gente que cada bocado de partilha, sob a forma de música, pensamento ou fotografia se justifica mesmo quando somos gente de poucas palavras, actos ou demonstrações. 

Hoje sorri. porque tenho gente assim. Hoje sorri porque sou gente assim

"A tua playlist spotify é a minha companhia na cultura de celulas.. e assim estamos mais pertinho!!! Gosto muito de te ter assim perto.." (Obrigada Di)


28 de maio de 2015

Lição para N.

Depois de anos de repetições de vivências e situações, atitudes e mal interpretações a moral da história deveria ser: quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. 
Retratamento exige-se num ato desesperado por vezes só possível a um povo unido que grita em uníssono por mudança após longos períodos de fome e maus tratos. Mas não é fácil mudar e romper com hábitos tão enraizados que se tornaram modus operandi. Não é fácil renegar toda aquela personagem que se criou e que se vendeu a troco de protecção do eu próprio. Numa era em que se punem atitudes e comportamentos desrespeitosos com o mesmo desrespeito também se julgam os que nos julgam com a mesma cegueira e mão pesada. Portanto...quando o peso de tudo se abate sobre nós é chegada a hora da tomada de consciência e responsabilização...é chegada a hora da mudança, da inversão do panorama, da adopção de uma nova conformação. 

10 de abril de 2015

Shallows

Porque não consigo pôr em palavras o turbilhão de emoções que me assolam a alma
Porque não te consegui dizer nada mais do que até amanhã
Porque não sei ser sem ti
Porque és a minha pessoa
Porque somos nós, as nossas horas, os nossos fins de tarde num mundo que é só nosso
"Some things are just us"

"if you leave
when I go
You'll find me
in the shallows"



9 de abril de 2015

Desapego




A vida é feita de escolhas... mesmo que por vezes possamos achar que são imposições de uma qualquer força ou ser perverso que controla o Universo...a vida é feita de escolhas. Desde  pequenos que escolhemos brincar com este ou aquele brinquedo, com este ou aquele amiguinho da escola ou não fazer algo de todo, seja pura e simplesmente porque não temos vontade ou porque não há nada que nos estimule do outro lado. E assim crescemos, com a mesma demanda: fazer aquilo que nos faz sentir melhores (ou não...isto agora depende do masoquismo/opção retorcida/sacrificio de cada um) mesmo que por vezes o estarmos bem connosco signifique culpar um alinhamento qualquer dos astros para justificar o não estar à altura das expectativas dos outros. Aprendemos a deixar coisas, vivências e hábitos pelo caminho, qual projectos inacabados sem, na grande maioria das vezes, aceitarmos qualquer responsabilidade por isso, apenas porque sim, porque escolhemos sair na próxima à direita ou à esquerda e explorar novos horizontes. Aqui ou ali numa dada estação de serviço paramos e repensamos no caminho que já fizemos até ali e no rol de coisas que escolhemos fazer e num relance lembramos-nos daquela pessoa, coisa ou ideia que a dada altura deixamos ficar para trás sem já saber porquê. Apenas foi assim...ficou perdida algures num conjunto de decisões e escolhas que nos pareceram mais pertinentes, mais interessantes mais satisfatórias para o nosso eu. 
Ás vezes custa apercebermos-nos que deixámos ficar para trás coisas que até nos eram bastante valiosas e que faziam muito sentido na altura. Nestas alturas, num rasgo de desespero tentamos encontrar uma rotunda que nos permita rapidamente voltar aquele pedaço de caminho e recuperar a tal mais valia que de repente nos lembrámos. Porém, o mais certo é não encontrar a tal rotunda ou mesmo quando a encontramos e finalmente chegamos ao tal local aquilo que procurávamos já lá não está...ou então já não é como o lembrávamos. E depois é o ruir de uma lembrança, o cair do pano...o ter de aprender a deixar para trás...a viver com a memória e seguir em frente...o desapegar daquilo que escolhemos deixar para trás.

10 de setembro de 2014

O que fica daquilo que fomos

Há uns dias recebi uma notícia que por mais remota que fosse a certeza, ouvi-la a alto e bom som fez soar um gemido de dor aqui por dentro. 


Quando somos jovens, nos nossos vinte e poucos, achamos que temos sempre força e sensatez para tomar todas aquelas decisões relativas ao nosso circulo de amigos e vivências que queremos ou não para nós em determinada altura. Somos governados por um orgulho monstro que muitas vezes surge disfarçado de um outro grupo de amigos que nos suporta as loucuras e nos proporciona a falsa sensação de que aquelas pessoas de quem estamos a abdicar não nos interessará mais à frente. Sentimos-nos os senhores da nossa vontade, porque temos tudo, amigos novos (ou antigos que voltaram à cena), um trabalho bem sucedido e demasiada boa disposição para desperdiçar com discussões parvas e acusações. Esquecemos o quão bem já nos demos com aquela pessoa de quem nos estamos a afastar e do quão nossa ela já foi. E assim seguimos durante alguns anos, a criar experiências e lembranças novas que vão a pouco e pouco deturpando e sobrepondo as histórias e vivências de um tempo antigo. O tempo passa de tal forma que algumas dessas pessoas passam a ser apenas personagens de um conto, o conto do tempo que já lá foi. Até que um dia, do nada, ouvimos que aquela pessoa que outrora fora a nossa pessoa vai dar mais um passo em frente na sua vida. Um daqueles momentos que todos os amigos idealizam e que todos querem fazer parte. E é aqui que soa o alarme...e damos por nós a entrar numa espiral do tempo que nos leva até ás memórias que foram empurradas para o fundo da mente. De repente vemos-nos lá novamente, a rir pelas mesmas coisas, a partilhar o mais e o menos importante do dia, a sermos unha e carne, a sermos a dupla inseparável N&P...E eis que chega a dor. A dor de saber que tudo mudou, que nós mudámos, e que eu não farei parte deste momento que muitas das vezes idealizamos juntas. Dói, dói muito...dói tanto que hoje contesto o meu orgulho e a minha decisão de te manter longe para não me magoar mais. Hoje arrependo-me de não ter lutado mais por nós, de não te ter deixado voltar para a minha vida, apesar de todas as tuas tentativas. Hoje desejava voltar até aquela conversa, abraçar-te enquanto choravas e dizer-te que estaria sempre do teu lado; que tudo aquilo não tinha passado de um momento mau e que voltaríamos a ser o que sempre fomos ou quem sabe ainda melhores. Mas já não vou a tempo, pois já te cansaste de esperar e agora também tu me empurraste para o baú das recordações. 
E é isto que fica daquilo que fomos, arrependimento do orgulho, tristeza de se perder alguém, dor desse alguém ter sido a nossa melhor amiga. 

5 de agosto de 2014

Quem és tu?


 

Talvez há quase um ano, que me vinha a distanciar daqui. Escritas menos regulares espaçadas de semanas, por vezes meses, vinham ditando um previsível período de silêncio absoluto e até algum desapego àquilo que outrora foi a minha rotina. Distanciei-me não só daquele que durante alguns anos fora o meu espaço comum, como das pessoas cuja convivência ditara tantas crónicas da vida privada, tantas músicas que acompanharam peripécias de tais gentes em jeito de banda sonora. Arrisco dizer que durante este período de silêncio distanciei-me até de mim. Perdi o foco dizem uns, tornei-me mais dura dizem outros, perdi o brilho de menina que carregava no olhar e voltei à tão antiga conformação de "eremita emocional" que há muito deixara de ser. Desliguei-me das emoções e quase que me tornei um autómato, fazendo as mesmas coisas todos os dias e por vezes com uma precisão quase atómica. Porém ultimamente um "anónimo" fez-me pensar em quem seria eu neste momento? ou melhor, onde está a pessoa que se deu a conhecer a ele e a outros tantos neste espaço, neste bocado virtual onde reconhecia ser o seu lugar, a sua janela para um mundo que não a conhece, mas que a vai seguindo?...onde fui parar? (isto quase que parece um devaneio de Pessoa...). A ele, que tão bem conheço, respondo que me perdi em mim...mas que desejo voltar e reencontrar aquela por quem se apaixonou.

1 de outubro de 2013

sugestão #4

E porque há muito que esta rúbrica não dava ares de sua graça, eis então que surge de um separador (basicamente intervalo de actualização de cadernos de laboratório) a sugestão da M. A



love love love :)